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Festas Juninas em Urucânia Que Deixaram Saudades

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festajuninaAs festas Juninas no Brasil sempre foram um marco na nossa cultura. Comemoradas em sua maioria, no mês de Junho, este tradicional acontecimento é recheado de muita dança, comidas típicas e alegria. Criada para homenagear Santo Antônio (13 de Junho), também conhecido como o santo casamenteiro, São João (24 de Junho) e São Pedro (29 de Junho), a festa junina sempre foi e ainda é uma grande festa popular, pois é frequentada por pessoas de diferentes classes sociais, credos e raças, mas ao mesmo tempo iguais, pois, todos buscam o mesmo objetivo: a diversão.

Entre as décadas de 1950 e 1960, Urucânia comemorava tradicionalmente a Festa Junina em diferentes lugares ao longo do mês de Junho: Nas escolas, nas praças e também nas comunidades rurais, considerada esta a mais fiel às tradições.

Na Praça da Matriz, a quadrilha era conduzida por Totoni Rossi, que, com seu “vozeirão” iniciava-se a festança ao toque da sanfona e do pandeiro juntamente com a graciosidade das crianças e o talento dos adultos. Todos muito bem vestidos de forma tradicional. As meninas e moças usavam vestidos floridos cheio de babados e fitas, saias rodadas, além das tranças e as famosas “maria chiquinhas”. Já os meninos e rapazes usavam suas calças remendadas, botinas, camisas listradas com um maço de palha no bolso e o cigarro atrás da orelha, bigodes feitos de carvão ou rolha queimada e o indispensável chapéu de palha.

Enquanto a quadrilha acontecia, as pessoas apreciavam a festa passando pelas barracas onde compravam e degustavam os tradicionais pratos típicos como: broa de fubá, canjica, pipoca, amendoim torrado, mandioca frita, pé-de-moleque e o famoso quentão, vendido somente para os adultos, além de  outras gostosuras mais.

Já ao lado da Igreja da Matriz, estava a grande fogueira que além de ser usada para assar as famosas batatas doces e colocar a conversa em dia, suas fagulhas subiam parecendo querer encontrar com as estrelas, deixando a noite ainda mais iluminada.

Tudo acontecia de forma calma e tranquila e após muita dança a noite se encerrava na mais perfeita ordem, fazendo assim, com que todos esperassem ansiosos pela próxima festa da cidade.

Na escola, as quadrilhas também aconteciam com muito entusiasmo, ordem, ostentação e requinte. Era utilizada a própria escola para que a festa acontecesse. As salas eram usadas para que as barraquinhas fossem montadas para vender salgados e os pratos típicos da época, já a cozinha, era onde se vendia a canjica e o quentão, bebida que não podia faltar para os adultos.

Era no pátio da escola que a quadrilha acontecia. Tudo muito bem enfeitado de acordo com a tradição. Já ao fundo do pátio, um palanque era montado para a realização do tradicional “casamento do jeca”, com direito à padre, juiz de paz, padrinhos, família do noivo e da noiva e um policial, que por segurança da noiva estava ali, caso o noivo mudasse de ideia.

Apesar do casamento estar presente todos os anos, a criatividade dos participantes se aprimorava a cada ano. Certa vez, no decorrer do casamento, tudo corria bem, até que a futura sogra do noivo decidiu se manifestar com o seguinte discurso: “Meus porvo e minhas porva, apesar deu num saber discussá, eu fui incuvidada pra mode ser a faladeira dessa festança de hoje que é a casamentação da minha fia Inhá Quitéria Fulô com Zé Maria do Rêgo. Eu tava inté mesmo com vontade de falar, a vontade era tanta, que já tava inté me dando coceira. Eu coçava aqui, eu coçava ali, eu só não podia coçar lá, porque o lugar era impróprio, mas que tá coçando tá!!!

Eu vô aproveitar e dar uns conseios pra minha fia que é muito inocente: Inhá Quitéria, minha fia, inscuta o que eu dizer, eu vou te dar uns conceio, mode te ensinar a viver: Ancê trata seu marido com carim e educação, mas se ele quiser te mandar, minha fia não deixa não. Isso é pra mode o marido num ficar mar acostumado, ele tem que trabaiar e trazer tudo escovado. Num deixa ele falar arto, nem mesmo de brincadeira, senão ele acostuma e vai te dar uma trabaieira.

 O dinheiro que ele ganhar, ancê guarda direitinho e quando pedir pra cigarro, ancê vai dando aos poquinho. E se com o tempo passar e ancê não aguentar, larga essa cruz no caminho e que outra há de pegar. Agora eu quero aproveitar para pedir toda essa povança que tá aqui, eu sei que no meio tem muito fazendeiro rico, uma ajuda pra escola que nois tão construíno1: Num precisa ser muito não, é só uma notinha daquela que tem o retrato daquele homem que arrancava os dente2. Os cês pode ajudar com prazer, que nela seus fios ainda vão estudar. Tenho dito.”

Logo após o discurso da sogra, começava o arrastapé, onde as barracas funcionavam e as professoras com todo vigor criavam estratégias para vender sempre mais e com isso arrecadar o quanto fosse possível. Todos se divertiam ao som do violão, da sanfona e do pandeiro, comandados por Jésus Ségala.

Já na área rural, a tradição era ainda mais fervorosa. Nove dias antes da festa junina, acontecia a tradicional novena do santo padroeiro, onde as famílias se reuniam nas casas para fazerem suas orações. Ao final da novena era feita a quadrilha para comemorar.

Neste dia, as pessoas “da cidade” saiam em caminhões, carros ou até mesmo a pé para prestigiar não somente a comunidade que estava sendo festejada, mas também para dançarem a tradicional quadrilha.

Era servido aos que ali estavam café quentinho e quitandas, além das indispensáveis barraquinhas que eram montadas para vender quitutes variados e apetitosos.

Dessa forma, ao som de muita música, as pessoas participavam da festa e dançavam à noite toda demonstrando sua satisfação em manter acesa não só a fogueira, mas as tradições da nossa história.

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1- Construção do Ginásio Padre Antônio Pinto oferecendo o Ensino Fundamental e mais tarde o Ensino Médio, onde hoje funciona a Creche Municipal Lar Escola Vovó Taninha.

2- Cédula com o rosto de Tiradentes (Joaquim José da Silva Xavier – 1746-1792) que circulou entre 13.02.1967 a 30.06.1974.

 

 

 

Colaboração
Texto: Rita de Cássia Araújo

1 comentário para Festas Juninas em Urucânia Que Deixaram Saudades

  1. CAROS, boa tarde. Sou paulista e viajo na próxima semana para BH e posteriormente devo conhecer a cidade de Urucania com a minha companheira (que é nascida na cidade). Parabenizo pelo site porém vocês poderiam dispor de outras informações importantes como: onde se hospedar, onde comer, localização da rodoviária (com horários para BH e cidades próximas), taxi, hospitais, bancos e afins. Abç

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