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Maria Tompe

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Maria Tompe

 Nascida em 29 de Setembro de 1909 na cidade de Ponte Nova – MG, Maria Tompe teve uma infância e adolescência como todos os jovens de sua época. Fez o curso Primário e por ter muitas habilidades manuais, dedicou-se a bordados e costura desde jovem.

Vinda de uma família simples com mais 2 irmãos, Ephifênia Tompe e Antônio Tompe, casou-se em 15 de Novembro de 1927, aos 18 anos, com Odilon Cohen.

Viveram em Ponte Nova por vários anos onde tiveram 2 filhos: Malvina Cohen e Marcos Cohen.

Durante uma visita à casa de sua irmã Ephigênia, que morava em Urucânia, recebeu a notícia do falecimento de seu marido. Diante desta situação, José Mayrink de Souza (Juquinha de Júlio), esposo de sua irmã Ephigênia, convidou-a para morar com eles em Urucânia, auxiliando assim sua irmã a cuidar de sua mãe, Dona Victorina Mayrink Tompe.

Algum tempo depois, os irmãos de seu marido Odilon tiveram a ideia de comprar uma casa simples em Urucânia para que ela tivesse maior tranquilidade na criação de seus filhos.

Apesar de continuar recebendo ajuda de seus familiares, Maria Tompe passou a costurar, bordar e fazer crochê para suprir as vontades de seus filhos e manter sua independência. Pois mesmo com a morte de seu marido, nunca deixou de batalhar, demonstrando o quanto era uma mulher guerreira.

Destacou-se na confecção de camisas masculinas sendo considerada a melhor “camiseira” da época.  Todos os seus clientes elogiavam a qualidade e perfeição dos seus trabalhos.

Vizinha da Casa Paroquial aceitou, a pedido do Padre Antônio Ribeiro Pinto, a instalação da Rádio Nacional do Rio de Janeiro em sua casa. A equipe que transmitiria diariamente as bênçãos do Padre Antônio tinha como repórter o Sr. Álvaro Gonçalves que escreveu o livro “Milagres da Fé”.

Por se tratar de uma época de extremo respeito, Álvaro Gonçalves, querendo manter a privacidade e a idoneidade da família, propôs apenas a utilização de dois cômodos da casa: um para a instalação da rádio e outro para as acomodações de sua equipe, evitando assim, qualquer constrangimento diante da sociedade urucaniense.

Dessa forma, alguns dias depois de terem se instalados, Álvaro Gonçalves pediu à Maria Tompe que cozinhasse para toda a equipe e, em troca, forneceria toda alimentação tanto para sua equipe como para a família. Exímia cozinheira aceitou a proposta e causou admiração com o delicioso sabor de sua comida.

Álvaro Gonçalves e sua equipe vendo a dificuldade da família em conseguir água, instalaram uma rede de água na casa, colocando torneiras baixas para possibilitar a captação e armazenamento da água.

Por muito admirar a força e dedicação de Maria Tompe, na vida e na criação exemplar de seus filhos, após retornar ao Rio de Janeiro, Álvaro Gonçalves enviou-lhe seu livro intitulado “Milagres da Fé” com uma dedicatória especial onde se pode perceber o carinho dele para com a família com os seguintes dizeres: “Maria Tompe, o anjo que desceu do Céu com seus dois anjinhos: Malvina e Marcos”.

Apesar das dificuldades da época, a instalação da Rádio Nacional em sua casa foi fundamental para a divulgação da cidade de Urucânia no âmbito nacional e como consequência vemos atualmente o turismo religioso movimentar e aumentar a cada ano milhares de pessoas guiadas pela Fé em Nossa Senhora das Graças e Padre Antônio Ribeiro Pinto para a cura de seus males.

Chamada carinhosamente por seus netos e sobrinhos de “mãe-outra”, Maria Tompe foi uma mulher que venceu os tempos difíceis com sua persistência. Vaidosa, nunca se deixou abater pelo cansaço que muitas vezes a vida lhe proporcionou. Com um sorriso nos lábios e uma palavra amiga, tinha sempre um elogio para quem quer que fosse, o que só demonstrava seu otimismo e sua autoestima.

Maria Tompe faleceu em 15 de Fevereiro de 2009 com 99 anos deixando seu legado a todos os moradores da cidade de Urucânia por nunca ter deixado de contar os fatos ocorridos e vividos por ela.

A ela nossas eternas saudades!!!

Maria Tompe

* 29 de Setembro de 1909
+ 15 de Fevereiro de 2009

Colaboração:
Malvina Cohen – Foto e textos
Rita de Cássia Araújo – Colaboração

9 comentários para Maria Tompe

  1. Jáder Filho comentou em 23/09/2013

    Tenho muita saudade de Mãe-outra. Já se passaram 4 anos do seu falecimento e me lembro como se fosse ontem dos seus conselhos e seus elogios e também das horas e mais horas em que batíamos papo. Pra mim ela era mais que uma tia. Eu a considerava uma avó. O mesmo tratamento que dava os seus netos, Celsinho e Cláudia, ela dava a todos os sobrinhos. Foi uma guerreira, em todos os sentidos!

    ” Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.”

    Antoine de Saint-Exupéry

  2. Mãe-Outra … assim era como eu a chamava. Uma pessoa que era muito carinhosa e vivia sempre sorrindo. Faleceu em 15 de Fevereiro de 2009 segurando a minha mão esquerda. Naquele momento Deus me deu muito força, onde eu consegui ajudar minha madrinha Malvina que estava impossibilitada de andar normalmente, por causa de uma cirurgia. Saudade eterna Mãe-Outra.

  3. Lembranças de minha avó são muitas, apesar de todas as provas que nos visitaram pelo caminho. Hoje reconheço a fortaleza que ela demonstrava perante as dificuldades da vida. Aceitou os desafios e venceu. Mãe Outra, exemplo de dever cumprido. A convivência que hoje se interrompeu, retomará seu curso, nas infinitas moradas da casa do Pai.

  4. NÃO CONVIVI DE PERTO COM A SENHORA MARIA TOMPE, MAS COMO PELOS FRUTOS SE CONHECE A ÁRVORE, POSSO AFIRMAR QUE ELA FOI REALMENTE UMA MULHER EXEMPLAR. TIVE A SORTE DE SER ALUNA DE D. MALVINA, ASSIM QUE VIM DA ZONA EURAL PARA ESTUDAR EM URUCÂNIA. LEMBRO-ME DO CARINHO COMIGO… DO SEU JEITO ZELOSO, COM AQUELE “BICHINHO DO MATO” VERMELHO DE VERGONHA.
    PRA MINHA SORTE ELA SE ENCARREGOU DAS MINHAS COROAÇÕES, DOS ENSAIOS, DAS POESIAS ETC.
    SOU MUITO GRATA DONA MALVINA. CONTE SEMPRE COM AS MINHAS ORAÇÕES.
    MUITO OBRIGADA DE CORAÇÃO.

  5. Lourdes comentou em 12/10/2012

    Li a biografia de Maria Tompe que seu neto nos proporcionou, foi uma oportuna lembrança e sou grata por isso. Ela foi uma grade amiga que tive. Quanta saudade! Sou amiga de todos os seus familiares, principalmente de sua filha Malvina e seu neto. Parabéns Celsinho!

    Loudes Godoy

  6. Linda e oportuna homenagem: como esquecer a querida Dona Maria Tompe? Seria como me esquecer de minha vó Augusta, de minha feliz vida de menino brincando com seus netos Celso e Cláudia, sem falar de sua igualmente querida filha Malvina, ser amigo dessa familia para mim e minha mãe é uma honrra; Dona Maria em vida morava próximo à Igreja N. S. do Bom Sucesso, portanto era vizinha de Maria Santíssima hoje, com certeza, mora na mesma casa que ela.

  7. É muito bom saber que existiram pessoas importantes que fizeram parte e ajudaram a construir a nossa história, e que ainda há pessoas que procuram manter essa história viva com pesquisas e publicações.
    Sou natural de Urucânia, professora de História e tenho muito orgulho de ser urucaniense. Não moro mais na cidade há quinze anos, mas por onde passo, faço questão de divulgar a história da minha terra.

  8. Mãe-outra era uma mulher que sabia cativar as pessoas com suas doces palavras. Não me recordo de um dia tê-la visto triste, ao contrário, tinha sempre um sorriso no rosto e um bom caso pra contar. Lembro-me dela na janela, em suas festas de aniversários, onde todos se reuniam para comemorar mais um ano de vida dessa grande mulher. Um exemplo para todos nós. Muitas saudades daqueles tempos!!! Sei que onde estiver, está rodeada de paz e espíritos de luz. Tenho muito orgulho de ser sobrinha neta de uma pessoa que só nos trouxe alegrias na vida.

  9. Recordo-me da época em que passávamos muito tempo juntas. Conversávamos e ríamos muito. Sempre foi uma mulher vaidosa, bonita e trabalhadora. Era também uma excelente cozinheira. Tínhamos uma afinidade inquestionável, além de ser minha tia, era também minha grande amiga. Lembro-me de uma frase que sempre dizia “quem não se enfeita, por si se enjeita”, o que só demonstrava a grande vaidade e autoestima diante da vida.
    Hoje só restam boas lembranças que se transformaram em uma imensa saudade. A ela, minha admiração e respeito profundos!!!

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