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Padre Antônio Ribeiro Pinto

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Padre Antônio e a Medalha Milagrosa de N. Sra. das Graças

Padre Antônio Ribeiro Pinto, nascido em 2 de Abril de 1879 em Rio Piracicaba/MG.

Filho da escrava D. Fábia Maria de Jesus que decidiu entregá-lo para a sua irmã Maria Augusta e seu marido José Monsueto de Oliveira que não possuíam filhos e dedicaram ao pequeno sobrinho Antônio toda a atenção para sua criação.

Aos 6 anos mudou-se para Abre Campo juntamente com seus tios e sua mãe biológica onde iniciou seus estudos escolares.

Aos 21 anos de idade, foi para a cidade de Alvinópolis onde, sob a orientação do Padre Antônio Nicolau por 1 ano , iniciou seus estudos vocacionais.

Depois desta etapa, rumou para Mariana e pediu admissão como simples empregado no Seminário desta cidade. Recebeu o apoio do Superior Padre Afonso Germe. Foi-lhe concedida a permissão do S. Exa Revma Dom Silvério Gomes Pimenta para ser admitido como seminarista.

Ordena-se Padre, celebrando sua primeira Missa em Abre Campo no dia 9 de Abril de 1912. Nesta cidade deixou grandes amigos e pessoas que o ajudaram como o Sr. Agenor dos Reis Soares (escrivão local), Sr. Mansur Daiher, Manoel da Cunha entre outros.

Há relatos que sua primeira cura ocorreu no ano de 1912 em Abre Campo. Voltando para casa, ele encontra sua mãe tomada pelo vício do álcool, totalmente embriagada. Ele a pegou nos braços, levou-a para dentro de casa e, aos prantos, pede à Nossa Senhora das Graças que acabasse com o vício de sua mãe transferindo-o para si. Seu pedido foi atendido e D. Fábia, sua mãe, foi libertada do alcoolismo e, então, começa seu martírio com a bebida. Padre Antônio livra-se deste vício somente no ano de 1928, ano em que faleceu sua mãe.

Muda-se para Rio Casca como Coadjutor do Cônego José Pedro de Alcântara Scott e em 8 de Setembro de 1915, assume o lugar do Cônego Scott que veio a falecer. Permaneceu assim até 1917 e durante este tempo houve a construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, fato este que marcou sua passagem por Rio Casca. Nesta cidade também faz bons amigos como o Dr. José Miranda (médico famoso na região) e D. Modestina, sua irmã.

No final do ano de 1917, deixa Rio Casca e segue para a freguesia de Rio José Pedro, hoje Ipanema, onde zelou carinhosamente pela sua paróquia.

Em 1º de Maio de 1921, assume a freguesia de Santo Antônio do Grama e ali permanece por 25 anos.

Em 1925, Dom Helvécio Gomes de Oliveira, Arcebispo de Mariana, transfere Padre Antônio para o Curato de São Sebastião do Grota por causa de conflitos de ordem social com a comunidade gramense.

Construiu a Matriz de São Sebastião durante sua permanência de 1 ano em São Sebastião do Grota.

O povo mais humilde de Santo Antônio do Grama clamava pela volta do Padre Antônio para aquela comunidade e em 1º de Novembro de 1926 acontece este retorno, porém, Padre Antônio nunca se afastou do povo do Grota. Neste período, ele reconstrói a Capela e o Cemitério do Grama e constrói a Igreja Matriz e na sua inauguração houve uma grande procissão com a entrega das chaves da Igreja ao Padre Antônio como uma importante homenagem a este homem.

Construiu, também, a Capela de Santa Efigênia na parte mais alta da cidade e ao lado do cemitério onde descansa o corpo de D. Fábia, sua mãe.

Padre Antônio amava construir igrejas e capelas e gostava também de viajar, visitando enfermos e vilarejos sempre montado num burro chamado “Regalo” ou no cavalo de nome “Lasquiné”.

Era magro, mulato, 1.68m de altura, de olhar vivo e penetrante, corajoso, franco, recatado e muito dedicado a tudo que fazia. Amável e fiel aos princípios da Igreja. Gostava de dividir a mesa de refeições com os mais pobres. Adorava as crianças para as quais ensinava o Catecismo. Gostava de promover festas religiosas muito animadas.

Ao Padre Antônio, são atribuídos inúmeros milagres e desde o início de sua vida religiosa dava bênçãos aos enfermos e distribuía a “Medalha Milagrosa” de Nossa Senhora das Graças. Sua fama começou a se espalhar e romeiros vindos de todas as partes faziam procissões implorando à ele graças espirituais.

Por problemas políticos, deixa Santo Antônio do Grama e chega à Urucânia em 2 de Fevereiro de 1947, a convite do Padre José Henrique de Souza Carvalho. Já velho e com a saúde fragilizada, transforma Urucânia no mais alucinante delírio de Fé visto até então.

Abaixo, o texto do Padre José Henrique sobre a chegada de Padre Antônio Pinto Ribeiro à Urucânia:

“Em 1947, a convite meu passou a residir em Urucânia, tendo resignado a vizinha paróquia de Santo Antônio do Grama, onde foi vigário 26 anos, o Revmo. Snr. Pe. Antônio Ribeiro Pinto, estando ciente o Snr. Arcebispo. Deixou a paróquia a 2 de fevereiro de 1947. Festa da Purificação de Na Sa. Sendo gravíssimo o seu estado de saúde, foi hospitalizado em Rio Casca. Aqui, com gaudio geral, chegou a 11 de Fevereiro do mesmo ano – Festa de Na Sa de Lourdes. Em abril, chega o 1º caminhão procedente do Espírito Santo, creio, de Castelo, trazendo aproximadamente 50 pessoas.

A maior parte, era alcoólatra, outros doentes e aleijados. Obtiveram a graça, segundo fui informado, daí o início da romaria. Urucania jamais viu tamanha multidão, tamanha miséria física e moral. Urucania era pequena para suportar dez, quinze a vinte mil pessoas diariamente; todos ansiosos por um lenitivo ao menos aos seus grandes males: todos desejavam ver, falar, tocar em Pe. Antonio…

Quando atestam beneficiados por Na Sa das Graças, neste terreno, nada me cabe adiantar, senão as autoridades competentes. Afirmo “de visu” as conversões inúmeras de maçons, espíritas, protestantes… pois em quasi 2 anos, ouvi 65.000 confissões. Houve mais de 20 mil comunhões de adultos. Por esses dados matematico é fácil imaginar o trabalho insano do vigário. Em dezembro de 1948, dia 8, pede Pe. Antonio, pelo Amor de Deus, aos dirigentes da Rádio Nacional e jornalistas presentes não mais dessem notícias suas…”

Desde sua chegada, Urucânia muda radicalmente, recebendo uma multidão, vinda de todos os lugares do Brasil e do exterior, que buscavam as bênçãos do Padre Antônio.

Muitas curas aconteceram e foram registradas por jornais, rádios e revistas do Brasil e do exterior, que mantinham correspondentes em Urucânia para acompanhar o Padre diariamente. A Rádio Nacional, naquele tempo a maior emissora de rádio do país, instalou seus aparelhos na casa de D. Maria Tompe (a pedido do próprio Padre Antônio) e passou a transmitir as bênçãos diariamente.

Foram muitos os milagres alcançados tais como cegos que passavam a enxergar, surdos que choravam ao ouvir os primeiros sons, deficientes mentais sendo curados, paralíticos que jogavam suas muletas e saiam andando. Tudo isso no meio de uma multidão que se amontoava e assistia ao espetáculo de Fé e de curas. Este povo rezava, chorava e gritava: “Milagre, milagre, milagre…”.

Padre Antônio sempre manteve o controle financeiro nos seus cadernos onde anotava tudo, nada passava sem ser anotado. Boa parte de suas finanças é destinada à construção do Santuário de Nossa Senhora das Graças.

Seu sacristão Raimundo Henrique da Silva (Digo do Padre) e seu enfermeiro Bernardino Alves Mayrink (Didino Mayrink) o auxiliavam nas mais variadas tarefas diárias de Padre Antônio.

Um dos nomes de destaque na vida de Padre Antônio é o de D. Beatriz Monteiro de Carvalho, empresária, amiga fiel e seguidora, moradora do Rio de Janeiro, que recebeu graças e mantinha contato por cartas e auxiliava financeiramente os projetos do padre.

Morre em 22 de Julho de 1963, sem ver a conclusão do sonhado Santuário de Nossa Senhora da Graças e é enterrado no cemitério da cidade de Urucânia.

Doze anos depois, em 2 de Abril de 1975, seu corpo foi exumado e seus restos mortais foram transladados para o Santuário onde pode ser visitado atualmente.

Celebra-se a memória de Padre Antônio Ribeiro Pinto no dia 22 de Julho com missas no Santuário.

No dia 27 de Novembro, desde 1947, festeja-se em Urucânia a Medalha Milagrosa de Nossa Senhora das Graças onde milhares de fiéis rumam para o Santuário onde participam de missas durante todo o dia e uma procissão da Imagem de Nossa Senhora das Graças que percorre as ruas da cidade.

 

10 comentários para Padre Antônio Ribeiro Pinto

  1. A História do Padre Antônio Ribeiro pinto dever ser conhecida em todo o país. Tem algum livro ou escritor sobre ele? Eu pesquiso a vida de Padre Ibiapina. Preciso entrar em contato com alguém que já escreveu alguma coisa sobre este padre para publicarmos juntos a vida e obras destes heróis.

    • eu tenho uma revista q fala do Padre e da cidade q eu mesmo diagramei, e tem livros a qui na cidade

  2. Fico feliz por meu primo ser lembrado atè hoje pelas coisas que ele fez, sinto orgulho em ser primo de uma pessoa tão especial como ele.

  3. Recebi uma enorme GRAÇA através do Padre Antonio. Segundo os médicos, foi mesmo um MILAGRE. Gostaria de obter maiores informações de como colaborar para o Processo de BEATIFICAÇÃO do Pe. Antonio Ribeiro Pinto.

    Aguardo contato!!!

  4. Tenho 80 anos e estive com 6 anos com o Padre Antônio. Saí do Rio de Janeiro em um caminhão do Sr. Arnaldo junto com vários romeiros e todos buscavam a cura de doenças. No meu caso, era criança e tinha osteomielite e na época nao existia penicilina. Já tinha operado no hospital Jesus, em Vila Isabel, RJ, e o tratamento era engessar e esperar que a própria secreção que saia da perna curasse.
    Voltei de Urucania com inicio de cicatrização na minha perna. Fiquei sem sequelas!
    Hoje, com 80 anos sou agradecida em ter sido abençoada pelo Padre Antônio.
    Dulce Alvares Fernandes, Rio de Janeiro

  5. Já visitei a casa onde o Padre Antônio residia e o Santuário.

  6. Minha amada mãe ( Dona Madalena) é natural de Santo Antônio do Gama e ela, hoje enferma, me relata que seu pai, meu avô, Ricardo Gonçalves Martins, tinha uma doença na mão que impedia que ela ficasse aberta e com isto ele não conseguia pegar no cabo da enxada, sendo assim ele estava passando necessidade em casa; então ele procura Pe. Antônio Ribeiro Pinto, que ao pegar em sua mão disse: “Você não tem nada nesta mão” (sic), e deslizou a própria mão sobre a mão de meu avô e a partir deste momento a mão dele ficou curada. Tenho muita vontade de levar minha mãe até Santo Antônio do Gama para, quem sabe, ela poder entrar em contato com algum familiar que ela perdeu contato e visitar os locais onde Pe. Antônio Ribeiro Pinto exerceu seu apostolado, incluindo Urucânia.

  7. Não sei quem é o autor(a) do texto, mas muitas verdades foram narradas. Padre Antonio foi realmente milagroso. Lembro-me que, ainda criança, todas as tardes, eu e meu amigo Paulinho,hoje, conhecido radialista da Rádio Globo – Paulo Lopes -, gostávamos de ir à casa de Padre Antônio ver os romeiros e assistir a bênção da tarde. Vimos de tudo nessas ocasiões: Possessos acorrentados e espumando entrarem em suas dependências e sairem curados, enfermos e paralíticos subindo a rua, em direção à igreja matriz, curados e andando. Chegavam caminhões com romeiros de todos os cantos do país. Chegavam cantando em homenagem à N. S. das Graças. Padre Antônio foi um exorcista poderoso e, dependendo do caso, adoecia após a sessão de exorcismo. Lembro-me muito dele e de suas bênçãos onde diversas pessoas tomavam àgua benta no mesmo copo sem nunca alguém ter adoecido por isso. Os urucanienses antigos foram privilegiados por terem convivido com esse espírito de luz que foi esse sacerdote.

    • Rosa Maria, fico emocionado em participar desses seus relatos, conheci a História de Pe Antônio, através do livro de Margarida Drumond e fui tocado a conhecer Urucânia/MG. E realmente vi que esse foi um homem escolhido por Deus nessa terra para nos ajudar. Que privilégio vc o ter conhecido.

  8. O bom DEUS todo poderoso foi generoso com todos nos urucanienses pois o querido Padre Antônio foi um sinal do sagrado em nossa humilde cidade. Cabe a nós, honrarmos sua memória com gratidão e carinho.

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